É como se o tempo não me deixasse continuar, como se o relógio descansasse os ponteiros deixando-os morrer para sempre, como se tudo acabasse no momento em que estávamos determinados a perder tudo por um beijo…
Lembro-me de ouvir cada passo teu que se coordenava com o bater ansioso do meu coração, que se tornava mais forte á medida que te aproximavas, enquanto eu mantinha os olhos no chão e contava todas as pequenas pedras como quem conta os segundos do relógio.
Um toque de uma mão gelada na minha, fez-me perder a conta ás pedras, esquecer os segundos, esquecer o mundo. Num gesto bruto, e um tanto irresponsável, abracei-te com a força de uma ‘’última vez’’. Após tanto tempo, sentia presente o teu respirar ofegante, o toque suave dos teus negros cabelos que contrastavam com o ameno perfume da tua pele.
A luz do sol já se consumia no horizonte, voltei a sentir o toque gelado da tua mão na minha, desta vez mais violento, os teus dedos entrelaçaram-se nos meus, como se formássemos um só, o silêncio tornou-se os versos que citávamos sem saber, compondo o mais belo poema alguma vez vivido. Os teus olhos fitavam os meus como duas chamas serenas que devoravam a noite.
Como se o tempo tivesse quebrado a corrente rotineira dos ponteiros do relógio, nada mais existia para além de um mundo de sombras paralelo a nós.
Sentia o teu leve respirar, as tuas doces palavras indefinidas no meu ouvido, enquanto o teu corpo se aproximava lentamente do meu. Instintivamente todos os pensamentos foram-se apagando enquanto uma explosão de sentimentos era partilhada pelo quente e puro toque de um beijo proibido. Sentíamos o perigo, mas não queríamos desistir…
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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O tempo é, de facto, algo repleto de mistérios... (:
ResponderEliminarGostei muito do texto!