domingo, 14 de fevereiro de 2010

Metro de Paris

Estou no metro de Paris, sentada ao lado de um cadáver adormecido e diante de duzentos rostos indecisos. Seguro uma revista nas mãos e deparo-me com um bailarico de letras que se cruzam aos meus olhos. Sinto um peso colossal na cabeça e uma suave escuridão esconde-me a paisagem.
Encontro-me sentada a um canto de um cubículo fétido, ao meu lado uma garrafa quebrada, um cinzeiro vazio e um seco cigarro que morre na minha mão… Na cabeça reproduzem-se imagens desmaiadas, e no coração flutua uma dúvida perdida.
- Está aí alguém? Olá?
As paredes do cubículo quebram! Instintivamente, ergo as mãos á cabeça, na esperança de me oferecer alguma segurança.
Encontro-me sentada sobre um pano branco. Sinto-me oca, escassa… Tal como a escassez de qualquer tipo de corpo nesta estranha dimensão. Levanto-me, e após um duro passo sinto o plano sob os meus pés escapar… Sou impulsionada para o infinito enquanto uma forte sacudidela me embala…
Avisto uma paisagem e um humilde rosto que num gesto impaciente me tenta acordar.
Estou no metro de Paris e abandono-o na próxima paragem.

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