São nove horas e trinta e oito minutos. Pela casa corre um leve aroma a café combinado com um ligeiro estalar das tostas quentes, cobertas de uma suave camada de manteiga. Duas doses de açúcar e o tilintar de uma colher teimosa.
Na janela, o chilrear de dois pássaros enamorados, um raio de sol soalheiro que esfarrapa a cortina.
São nove horas e quarenta e um minutos. Pela casa corre um eco agitado de um silêncio tranquilo.
Na cadeira repousa, solitário, um corpo ensonado. Na mesa dança a mão ansiosa que tenta acompanhar a correria rotatória da colher, na mesa jaz uma mão carregada de pensamentos.
São nove horas e quarenta e quatro minutos. O ruído furioso da cidade tenta provocar inveja ao silêncio, a cabeça carrega a culpa do dia anterior e do seguinte… As tostas estão a arrefecer.
São nove horas e cinquenta minutos. A chávena está quase vazia e a colher recolheu ao seu descanso. Ambos os braços se agitam no ar indignadamente, como se desafiassem o infinito. A chávena tomba e o restante café espalha-se sobre a mesa. O corpo mole ergue-se, deixando cair a cadeira…
São nove e cinquenta e dois minutos. Suspiro:
-Maldita mosca!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
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