É comum tentar prever o futuro. Construir uma fantasia através de modelos e sonhos, em que está presente uma bela casa, uma boa família constituída por um elegante e carinhoso marido e dois ou três filhos traquinas, um bom círculo de amigos formado pelos mais chegados de hoje e um emprego estável.
É tudo muito bonito - e com isto quero dizer que não é nada bonito - mas o certo é que, a cada dia que passa menos confiança tenho nas minhas fantasias.
Imagino-me daqui a 25 anos, velha, totalmente desgastada pelo tempo. Velha e sozinha! Talvez sozinha não… Mas velha e rodeada de um monte de gatos que me ocupam a casa como se fosse um hotel. Com tanta convivência com felinos, aposto que me vou tornar numa velha pulguenta e com bolas de pêlo enfiadas na garganta. Ai e que tosse comichosa elas me vão dar!
A julgar pelo que vejo da minha vida hoje, está previsto de que vou ser uma velha solitária. Uma velha enrugada e solitária! Vou oferecer estadia aos bichanos como o Diabo oferece o Inferno!
Imagino-me sentada num velho banco de madeira pintado de azul (banco que eu mesma pintei) de caneta e papel na mão a escrever cartas a ninguém… Cartas que vou mandar pelo correio a uma morada em branco… Cartas que o carteiro me virá devolver… E cartas a que eu me vou sentir na obrigação de responder…
Vou escrever um livro que não vai ter sentido algum… Vou chamar-lhe livro porque vai ter imensas folhas, muitas delas em branco, outras com umas enormes barbaridades e umas manchas secas de café. Vou tomar chá com bolachas ao pequeno-almoço e ao lanche, e ao jantar vou comer papas de pão seco mergulhado em leite a ferver.
Vou ser feliz na minha demência! Vou passar as tardes a contar os biscoitos dos gatos e a ignorar o cheiro a mofo da mobília apodrecida e dos sofás esgadanhados. Nas noites de lua cheia, vou abrir as portadas da varanda, vou cantar a música mais triste e vou dançar… Vou dançar sozinha!
Um dia, vou subir ao telhado – como faço todas as noites em que sinto saudade – para contar as estrelas. Nesse dia vai estar a chover. Vou sentir a chuva lavar-me o rosto e o quanto calmante isso é. A lua vai lá estar e vai convidar-me para uma última dança, descalça, vou levantar-me, vou erguer a mão ao céu e vou dançar com a lua no telhado… A dança vai terminar com um passo escorregadio, vou abrir os braços, atirar-me de cabeça e finalmente vou ser livre… de voar!
domingo, 20 de dezembro de 2009
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está lindo *
ResponderEliminarAS nossas histórias de msn às 2 e tal da manhã dão nisto, completamente deprimencia, e uns lindos textos. :') Um dia vamos estar a contar os bicoitos, vamos estar a amndar cartas ao ninguém, vamos estar a ouvir a música que mais gostas de ouvir, e a mais deprimente e vamos dançar, dançar até que não sintamos mais os pés, no fim da dança, vou a correr e abraçar-te, e dizer-te, que por muitas pessoas que possas vir a perder, eu nunca serei uma delas, vais poder fazer esta rotina toda, mas comigo SEMPRE a teu lado. :D Dançarás comigo em vez da Lua, ouvirás comigo a música mais triste, em vez de sozinha, escreverás cartas para mim, e eu responder-te-ei com todo o gosto. Ter-me-ás sempre a Teu lado, acredita nisso. :') Poderemos ser as velhas voadoras mais solitárias, mais rabujentas e mais tudo, mas vamos ter-nos sempre uma à outra. (L)
ResponderEliminarAmo-te Minha Velha carunchosa <3